quarta-feira, 19 de junho de 2013

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ÍNDICE DE HOMICÍDIOS EM UBERLÂNDIA É PROPORCIONALMENTE IGUAL AO DE BH


Capitão Umberto Lira: “rodovias favorecem avanço do tráfico”
O índice de assassinatos registrado em Uberlândia no ano passado – com 203 homicídios e um latrocínio – foi, proporcionalmente, praticamente igual ao contabilizado em Belo Horizonte e mais que o dobro do verificado em São Paulo para cada 100 mil habitantes. Em Uberlândia, o índice foi de 32,95 mortes, considerando a estimativa populacional do IBGE de 619,5 mil habitantes para a cidade em 2012. Na capital mineira, o índice foi de 33,23 homicídios e latrocínios, enquanto na maior cidade do país foram contabilizadas 14,04 mortes para cada grupo de 100 mil moradores.

Em Belo Horizonte, foram registrados no ano passado 786 assassinatos, segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). Já na capital paulista, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) contabilizou 1.598 mortes, entre homicídios e latrocínios.

A maioria dos homicídios registrados em Uberlândia está ligada ao tráfico de drogas, de acordo com o chefe de planejamento operacional da 9ª Região da Polícia Militar (RPM), capitão Flávio Umberto Lira. Segundo ele, a cidade tornou-se um ponto estratégico do tráfico. “O tráfico de drogas encontra facilidade em Uberlândia e no Triângulo Mineiro em virtude das muitas rodovias, tanto estaduais quanto federais, que passam pela região. No entanto, a Polícia Militar, em parceria com a Polícia Rodoviária, faz fiscalização nas rodovias e tem tido êxito”, afirmou.

Ainda de acordo com o capitão Umberto Lira, mais de 50% dos suspeitos de terem praticado assassinatos na cidade em 2012 foram identificados pela polícia, mas alguns ainda não foram presos, como o homem conhecido como Bin Laden, suspeito de matar a garota Bárbara Guimarães, em outubro do ano passado.

O chefe de planejamento operacional da 9ª Região disse que, para tentar diminuir os casos de assassinatos em Uberlândia, a PM vai intensificar os trabalhos por meio do Grupo de Prevenção a Homicídios (GPH). O grupo atua na cidade desde 2012 fazendo a triagem de ameaças e ocorrências que podem evoluir para um homicídio. “Nós tentamos identificar as pessoas alvos de homicídio e tentamos atuar nessas situações para que essas pessoas saiam do risco”, afirmou o capitão Umberto Lira.
Ocorrências

Dados da Polícia Militar apontam 163 assassinatos na cidade em 2012. A divergência com os números registrados pelo CORREIO de Uberlândia, segundo o capitão Umberto, ocorre porque a PM contabiliza apenas os homicídios consumados registrados nos Boletins de Ocorrências. As tentativas de homicídio em que as vítimas morrem depois do registro da ocorrência não são consideradas na contagem feita pela PM.

Familiares de vítimas ficam assustados
Apesar de a taxa de assassinatos em Uberlândia ter aumentado 9% no ano passado, em relação a 2011, o registro de crimes violentos – que incluem homicídio consumado, homicídio tentado, sequestro e cárcere privado, roubo consumado, extorsão mediante sequestro, estupro consumado e estupro tentado – diminuiu 3,2% na cidade, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). No entanto, esta redução não alivia a sensação de insegurança e de revolta de familiares de vítimas da violência.

Liliane Guimarães – mãe da garota Bárbara Guimarães, de 11 anos, assassinada em outubro de 2012 durante um assalto na porta de uma mercearia no bairro Santa Mônica, na zona leste – tem medo de sair de casa e de andar com bolsa. “A cidade está mais perigosa. Antigamente a gente andava mais tranquilo. Parece que quando a gente sai, sempre vai acontecer alguma coisa. Pelo tamanho da nossa cidade, são assustadores os números assassinatos e de outros crimes”, afirmou.

Um morador do bairro Luizote de Freitas, zona leste da cidade, que pediu para não ser identificado, teve um primo assassinado em outubro do ano passado. Ele disse que depois da morte do familiar, passou a desconfiar de tudo e de todos. “Se uma pessoa me para na rua para perguntar as horas, eu já fico com o pé atrás pensando que pode ser alguém querendo me assaltar ou fazer algum mal. A cidade está ficando cada vez mais perigosa e violenta e depois do que aconteceu com meu primo, passei a ter mais medo.”

Crimes migraram para o interior
A violência homicida no Brasil está se interiorizando, segundo o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que coordena a série de estudos “Mapa da Violência”, publicada no Brasil há mais de dez anospelo Instituto Sangari, com sede em São Paulo. Para ele, existem dois motivos principais para a migração da criminalidade: a descentralização da economia das capitais a partir de meados dos anos 1990 e da virada do século e a má preparação da polícia nas cidades do interior.

“As cidades começam a oferecer benefícios fiscais para instalação de indústrias, levando o desenvolvimento para o interior, e começam a atrair grandes empresas, conglomerados e, junto, a criminalidade. E o sistema de segurança no interior não estava preparado para esse crescimento.”

Waiselfisz afirmou ainda que a tendência é os assassinatos aumentarem nas cidades do interior e diminuírem nas capitais. “No início dos anos 2000 foi implantado o Plano Nacional de Segurança Pública, que envia recursos e colabora com a melhoria da qualificação do policiamento nas regiões de mais criminalidade. Com o reforço de poliamento e a estagnação da economia nas metrópoles e o desenvolvimento do interior, o custo-benefício do crime passa a ser melhor nas cidades interioranas.”

Prevenção é o melhor investimento
A prevenção pode ser uma das melhores formas para se combater o tráfico de drogas e de armas e, por consequência, os assassinatos, segundo a socióloga Débora Pastana, que coordena o Grupo de Estudos de Violência e Controle (Gevico) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Conforme avalia, são necessários planos de governo nas esferas federal, estadual e municipal que visem à prevenção da criminalidade para resultados a longo prazo.

“É preciso fazer uma prevenção efetiva dentro das escolas. As ações que temos atualmente são esporádicas. Tem que haver uma continuidade e trabalhar a inclusão desses jovens na sociedade e no mercado de trabalho”, afirmou. Para a socióloga, os jovens que vão para o tráfico de drogas e, consequentemente, para a prática de outros crimes, são pessoas sem expectativa de emprego e de crescimento.

Correio de Uberlândia

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